Ética e Moral

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AHOY Marujos, esse será um introdutório para assuntos específicos sobre ética que irei abordar em próximos artigos. Outra coisa importante para falar é que será um histórico-filosófico simples da ética na Grécia antiga, assim não entraremos em detalhes profundos sobre as divergências e convergências entre as concepções, e nem sobre a noção de ética atualmente, que será vista em próximos artigos.

É quase que impossível falar em ética sem elevarmos a conversa para níveis ontológicos, de uma origem suprassensível, coisa que é passada pelo, platonismo, cristianismo e outras seitas, movimentos e religiões, mas será possível falar em uma moral transcendental?

Outro problema é a confusão de significados e definições de cada cultura, fazendo com que seja um pouco difícil definir o que é ética e o que é moral, e o que será certo ou errado, justo ou injusto de acordo cada cultura.

Mas nada melhor que começar dos primórdios da humanidade para ter-se uma ideia especulativa (investigativa) sobre a origens das condutas que envolve o senso moral, que responderá a primeira pergunta!

Um pouco de História, O caminho da humanidade na construção e significação dos costumes

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É sabido por achados arqueológicos e interpretações de desenhos rupestres que o homem em várias antigas sociedades, tribos ou grupos chegaram a maioria das vezes, em conclusões que estão além da realidade, ou seja, explicações transcendentais do mundo e do modo de vida, onde o místico permeia na vida coletiva e pessoal do homem como na caça, plantação e na morte.

Em especial, na morte podemos ver através de ritos que foram passados por gerações e as explicações com artefatos arqueológicos um respeito em relação a morte e a quem morre. Nas religiões africanas podemos ver muito bem tal coisa com as ideias de ancestrais que regem a vida do povo.

Outra coisa de caráter organizacional social importante, foram os primeiros homens que começaram a ter contato com o sagrado e coisas místicas, mudando a hierarquia de comando de um grupo que provavelmente a chefia era do mais forte, podemos ver esse tipo de estrutura nos primatas.

Agora com a entrada de sacerdotes e líderes espirituais na cadeia hierárquica, as explicações cosmogônicas e teogónicas para as coisas que o correm se enraízam culturalmente na sociedade. Um exemplo disto é que em várias sociedades antigas de acordo com seus credos haviam um explicação mística para os astros, em especial os cometas e estrelas cadentes, que poderiam anunciar guerra ou boa governança dependendo da sociedade.

A partir disto, estruturas religiosas foram se formando e oficializando-se, dando narrativas de criação de mundo, a sistematização de ritos, para a ligação do homem ao sagrado, através de danças, práticas, gestos e utilizando de objetos simbólicos. Já podemos ver que neste ponto surgem formas de condutas e regras de acordo com o misticismo que será mais tarde evoluídas uma tradição e costumes de um povo.

Na Grécia antiga

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Homero

Um exemplo sobre a descrição acima pode-se explicado na Grécia antiga com os aristocratas pela epopeia de Homero. É identificado que existem determinadas pessoas que são virtuosas (Aristoi – bom belos e melhores) a qual a arete (excelência, virtude) é passada por gerações, transmitida pelo sangue das grandes famílias descendentes dos heróis, alguns diziam ser descendentes dos deuses. Então aqui temos uma ética aristocrática, dos nascidos com excelência, seguindo essa ideia aristocrática os bens nascidos não precisavam provar sua excelência, ele apenas tinham que manifesta-la, o seu status já são a prova de sua virtude.

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Hesiodo

 

É visto que nesta época os gregos buscavam uma estética da existência, onde a referência dessa estética é o próprio cosmo, ou seja, a ordenação do universo. Diferente da ideia que temos hoje de ética referindo-se a certo e errado e questão de dignidade humana. Percebe-se que nesta época como a maioria dos pensadores chamados pré-socráticos buscavam a fundamentação e organização no próprio mundo pode-se ver que as ideias daquela época convergem ao cosmos (organização, beleza, harmonia).

Indo totalmente contra a ideia aristocrática inatista/sanguínea, temos Hesíodo, onde podemos entender que para se ter a arete é necessário um esforço, o homem não é bom belo e melhor por uma condição de nascimento, mas sim por suas atitudes, ou seja, ele se torna virtuoso ou não dependendo de seu esforço, da boa luta, luta do esforço, para conquistar uma melhor condição pessoal

É reputado em primeiro lugar, que a virtude está ligada a nobreza, onde era usado a tradição e religiosidade vigente na época propagada pelos poetas para perpetuar a dominação aos outros homens contados histórias de heróis que seriam ancestrais de suas famílias, em segundo, a ideia de virtude ligada ao esforço, no qual o homem batalha para alcançar sua excelência. E agora pode-se pensar na seguinte pergunta é possível passar essa virtude para a cidade, ou ela é algo apenas vivenciado na esfera pessoal?

Para essa pergunta a muito tempo já foi feita a metáfora do corpo e a cidade, onde é dito mais ou menos assim, se todos os membros e órgãos do corpo vão bem o corpo em si está saudável, mas se uma parte do mesmo estiver doente isto lhe causa problemas, e assim é a semelhança com a cidade. Ou seja remete-se aqui a novamente a ideia de estética da existência da harmonia e organização, mas agora em nível de cidadão e não como individuo

 Sócrates (469 a.C. ou 470 a.C. – 399 a.C.)

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Sócrates

Sócrates, foi conhecido como o incansável perguntador! Sua contribuição para a ética foi exatamente a invenção da mesma. E como foi isso?

Andando pelas praças e ruas de Atenas, Sócrates perguntava aos seus conterrâneos, independentemente de sua idade, o que eram os valores nos quais acreditavam e que respeitavam ao agir. “Que perguntas Sócrates lhes fazia? Indagava: O que é a coragem? O que é a justiça? O que é a piedade? O que é a amizade? A elas, os atenienses respondiam dizendo serem virtudes. Sócrates voltava a indagar: O que é a virtude? Retrucavam os atenienses: É agir em conformidade com o bem. E Sócrates questionava: Que é o bem?”

Com essas pergunta Sócrates percebia que as pessoas falavam sem pensar e seguiam costumes apenas por seguir, sem saber o que eles significavam, qual a causa e qual era a finalidade. Assim os atenienses que respondiam as perguntas do filosofo ficavam muito irritados por não saberem coisas que achavam que sabiam, já outros que achavam que respondiam as perguntas corretamente com exemplos, como atos de coragem de fulano na guerra, não percebia que estava apenas citando um fato e não explicando o que é a coragem. O fim de Sócrates por essas e outras infelizmente foi a Cicuta.

1280px-Metropolitan_David_Socrates_2Com isso podemos ver que a existência da moral não dá sentido a uma ética na noção de filosofia moral, ou seja, uma contemplação sobre moral e problematização para encontra seus significados e objetivo. Antes de prosseguirmos, alguns já podem estar confusos sobre a questão linguística das palavras moral e ética.

A palavra moral é de origem latina, moris, que basicamente significa costume, e no plural, mores, significa hábitos de conduta social. Já a palavra ética de origem grega vem de duas palavras semelhantes éthos: “o caráter de alguém” e êthos: Conjunto de costumes sociais”.

Dessa maneira, as indagações socráticas fundam a ética ou filosofia moral, onde é estabelecido a partir da consciência do agente moral o campo de atuação dos valores e tradições, assim é dito que somente aquele que tem ciência do que está fazendo, ou seja, conhece as causas e os fins de sua ação é um sujeito ético ou moral.

Conheça-te a ti mesmo”. Essa mensagem estava escrita no templo de Apolo, e através desta mensagem que podemos perceber a filosofia de Sócrates que tinha o objetivo nobre, a educação. Como dito acima só é ético e moral aquele que sabe o que faz, logo o indivíduo não delibera a fazer o mal porque deseja, mas por ser ignorante, indagar as próprias ações gerará ao indivíduo o conhecimento para que o mesmo saia da ignorância para “o viver bem”.

Platão (428 ou 427 a.C. – 348 ou 347 a.C.)

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Platão

Entrando agora no campo filosófico de Platão, discípulo de Sócrates, que não acredita que os conceitos de Justiça, Bondade, Bem, Beleza são puramente moldados pelos detentores do poder, no caso os aristocratas, pode-se perceber em função disto que o Ateniense combateu o relativismo moral dos sofistas.

Assim a ética tem seu lugar na teoria das ideias, uma ética transcendental, onde o filosofo evidencia na segunda navegação um mundo intelectivo composto pelas formas perfeita dos entes, como por exemplo, a justiça. Tal local intelectivo é a fundamentação de toda a realidade, onde encontra-se o molde perfeito para todas as seres e entes que percebemos. Assim, a sombra na caverna é referência a algo fora dela, como é visto no mito da caverna, logo, a sombra não é o que existe de fato, mas parece ser (simulacro), porque nossos sentidos são enganosos. Como esse mundo não encontra submisso a physis, ele só pode ser acessado pela razão, com isso uma pessoa só pode realizar as melhores ações se estiver sob a influência da razão, dessa forma, a ação boa, justa e correta é consequência do uso da razão que fará encontrar o caminho ao Uno-Bem.

De suma relevância para a ética platônica é a tripartição da alma (psyche) em inteligência, irascibilidade e concupiscência, onde em Platão é visto essa divisão para a cidade. (Vale lembrar que Platão trabalha com as coisas na forma ideal, de forma perfeita, ou seja, como deveria ser.)

A virtude é dita como a perícia de fazer o encargo que lhe é característico. No caso do governante da cidade e da parte da alma racional, a devida virtude é a sabedoria; no caso dos guerreiro e da parte irascível da alma, a devida virtude é a coragem; por fim, no caso da parte concupiscente da alma e dos produtores de bens da cidade, a devida virtude é a temperança. Platão ao fazer uma analogia entre sociedade e indivíduo exprime o conceito de justiça que é a harmonia que ocorre tanto no indivíduo e na sociedade respeitando o que lhe é devido. A justiça, então, tem seu destaque por ser a balança que guia tanto a vida política e pessoal, sendo a virtude que “averigua” se as outras virtudes estão sendo realmente virtuosas e não viciosas, mas quilo que é maior que a Justiça é o Uno-Bem que sustenta a justiça e que por meio dessa que se pode perceber o Bem.

 Aristóteles ( 384 a.C. – 322 a.C.)

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Aristóteles

Uma das características mais importantes dos estudos de Aristóteles é a sistematização das cosias e seu caráter científico, e com a ética não foi diferente, o Estagiária nas divisões das ciências coloca a ética como uma ciência pratica, assim como a política. As ciências praticas estão em segundo lugar nesta divisão, ou seja, são inferiores a ciências teoréticas porque estas de certa forma são escravas da pratica, atitude humana. Em geral diz-se que ética e política fazem parte da “filosofia das cosias humanas” onde política diz respeito ao homem como cidadão e ética diz respeito ao homem quanto indivíduo. Existem dois escritos de ética do filosofo, “Ética a Nicomaco” e “Ética a Eudemo”.

Dentro das concepções ética de Aristóteles é visto que o homem deve ser feliz, isto é, ser completamente homem. E para alcançar a sua plenitude o homem através da excelência (ethike) para com as ações o homem faz seu dever com plenitude, assim o homem tem sua realização e será feliz (Eudaimonia).

Dessarte, diz-se que todas as ações podem ser tornar meio para outras ações, mas há um Fim último, no caso a Felicidade, e este Fim último é inclusivo, ou seja, é um conjunto das realizações dos desejos.

Se há um fim das nossas ações que queremos por ele mesmo, enquanto os outros os queremos só em vista daquele, e não desejamos nada em vista de outra coisa particular (assim, de fato, iríamos ao infinito, de modo que a nossa tendência seria vazia e inútil), é claro que esse deve ser o bem e o bem supremo. (Ética Nicomaqueia, A 2, 1094 a 18-2.)

Porém é preciso desejar bem, isto só é possível quando os desejos são racionalizados, para que seja desejo humano e não animal, lembrando que, distinção do homem para com outros animais é a razão, este só é homem ou bem realizado, quando faz uso da razão.

Sabemos que Aristóteles era empirista, diferentemente da ideia racionalista de Platão, que buscava a essência das ideias de felicidade e da ideia do Bem sem relacioná-las diretamente à prática. A deia de virtude do Estagirita é relacionada como hábito ou disposição racional e o ensino, ao contrário da visão inatista platônica. O bem dito pelo mesmo não é um bem transcendental porque se este fosse, segundo ele, não seria realizável ao homem.

A virtude seria praticamente dentro da ética aristotélica o meio termo entre vícios, ela também não é exclusivamente racional, ou seja os sentimentos tem influência. Assim o homem tem o vício por excesso e por falta. Um exemplo que podemos dar nas ideias de Aristóteles é:

Virtude: coragem, Vicio por excesso: temeridade, Vicio por falta: covardia

Provavelmente a ideia do homem do homem poder aprender com seus hábitos e o com o uso da razão que este consegue manobrar suas ações para que esteja no meio exato destes vícios, no caso a virtude.

O Estagirita também tem a ideia de cidadania do homem, mais forte do que o próprio indivíduo, ideia que permeava o período helênico. Assim diz expressamente Aristóteles:

Se, de fato, idêntico é o bem para o indivíduo e para a cidade, parece mais importante e mais perfeito escolher e defender o bem da cidade; é certo que o bem é desejável mesmo quando diz respeito só a uma pessoa, porém é mais belo e mais divino quando se refere a um povo e às cidades. (Ética Nicomaqueia, A 2, 1094 b 7-10.)

Epicuro de Samos (341 a.C. – 271 ou 270 a.C.)

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Epicuro

Epicuro é “um dos maiores pensadores éticos de todos os tempos, embora muito mal conhecido e frequentemente deturpado” segundo José Américo Motta Pessanha.

A Grécia onde Epicuro viveu é diferente da qual Platão viveu, onde as Cidades-Estados eram, ou tinham uma certa autonomia, porque agora, ivendo Epicuro no império macedônio, as cidades e os cidadãos não tinham liberdade política, era havia moldes da democracia ateniense onde aqueles denominados cidadãos reuniam-se para discutir o rumo da cidade, agora a lei vem de cima, do imperador, e os súditos apenas devem acatar. Doravante, vivendo em um lugar de liberdade publica restrita, as ideias de Epicuro dominaram um espaço muito importante para o homem, o eu-interior. Neste cenário o filosofo diz que mesmo em tempos de adversidades o homem deve e tem que ser feliz.

Essa felicidade é encontrada no prazer, onde o limite do prazer é aniquilar a dor. Essa ética do prazer tem duas finalidades saúde do corpo e saúde da alma, tendo o afastamentos, das ignorâncias e crendices usando do conhecimentos para clarear a vida a partir da natureza das coisas, que fundamenta ideia que o mundo é inteligível, uma das características importante de sua ética é a universalidade, isto é, diferente do modus operandi da época de Platão onde a ideia de cidadão era excludente, para Epicuro, a sua ética pode ser exercida e trabalhada por todos. Seguindo nas ideias do epicurismo o homem não está no mundo para sofre e é por isso que ele prega sua ética no autocontrole pela esclarecimento obtido pela ciência (episteme) porque o homem não está condenado a sofrer, sofrer ou não depende da administração interior que só vem com o conhecimento.

O filosofo faz diferenciação de duas vidas em seu tempo, a política (campo de antagonismo e disputas) e a pessoal (campo da serenidade e felicidade), hoje podemos ver e demostrar a atualidade deste pensamento na questão de não misturar essas duas vidas, como exemplo, não se pode levar a vida pessoal para a vida política, ou seja, usar a política para garantir seus prazeres e nem tentar ser feliz na política por ser um local de frequente disputa.

Há de se dizer que a vida para ser feliz não é sozinha é a substituição da polis e do antagonismo para o jardim e a amizade em busca da sabedoria e do conhecimento, esse jardim era ondem esses amigos unidos filosofavam e discutiam sobre a vida, mas não ficavam essas discussões apenas em planos teóricos, o propósito era um filosofia de pratica de vida. Com isso, frequentemente cartas textos entre outros iam para outras pessoas que essas ou se juntassem a um “jardim” ou criasse um jardim com a suas amizades.

“Com isso, a moral epicurista é baseada na propagação de suas ações, pois ele não se restringiu apenas ao sentimento e ao prazer como normas de moralidade, mas foi muito além de sua própria teoria, sendo o exemplo vivo da doutrina que proferia.”

Referências

http://filosofiaemvideo.com.br/video-epicuro-etica-por-jose-americo-motta-pessanha/
http://www.brasilescola.com/filosofia/a-etica-epicuro.htm
História da filosofia grega e romana, Aristóteles – 2ª Edição – Giovanni Reale
Convite a Filosofia – Marilena Chauí
Imagens da internet

 

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